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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Esperança part. 1

Grunge em cada degrau nas escadas velhas deformadas, mas isso não influência a sua determinação para chegar ao segundo andar. Seu olhar é fixo no degrau mais alto e podre, difícil você resistir à escalada. As paredes lotadas de relógios. Coisas rastejam sob sua pele.

As portas em duas dobradiças, um longo corredor sem fim leva até  o quarto principal escuro, ocupado por uma cama de dossel roída pela traça gotejando, com teias de aranha. Amarelados e descascados os papéis das paredes como uma cobra morta e tremula, o piso como se tivesse martelado-o e estilhaçado. No canto em um tapete esfarrapado um cavalo de madeira para crianças se balançarem, o assento desgastado, a juba e rabo com fio revestido em sujeira. Um baú de mogno, gavetas sem vida com a gaveta de cima ainda fora como se tivesse saído às pressas, um espelho rachado se agarra à parede logo acima, mas você sabe que é melhor não ter um vislumbre de si mesmo nele.
O ar é denso e pesado, e parece que você inala as sombras ao redor da sala como se elas fossem acordar e te agarrar. 
Você escorrega para trás numa substância pegajosa no chão, rasteja pelo corredor como um ladrão e de pares sobre o corrimão quebrado. Abaixo se encontra um arranjo triste de desordem... Folhas espalhadas sobre móveis, cortinas rasgadas penduradas por fios simples, uma lareira de pedra fria e molhada, buracos podres nas paredes de gesso, um candelabro com cordas quebradas de cristais, um chapéu de homem ainda pendurado, um casaco amarelado com pequenos rasgos pendurado, e todos os tipos de papéis e detritos espalhados pela sala. As paredes magras com milhares de mancas de sangue, de repente você se agita. Alguém está chorando no quarto acima de você. Atrás de você são as escadas do sótão.
A reação do seu corpo para a queda súbita de temperatura envia um arrepio gelado na espinha como uma lâmina de barbear. A janela está aberta em algum lugar. Uma brisa morta com o cheiro de mofo e decadência como o aperto de laranja da chama no topo de um toco vela pisca uma, duas, e depois se foi. A escuridão cai sobre sua cabeça e ombros como um véu de noiva mortal, e seus batimentos cardíacos aceleram e o medo começa a se espalhar em toda a sua carne. A grande quantidade de poeira no ar que você respira com dificuldade em pouco tempo transforma a sua garganta em um algodão seco. Agora diretamente na frente de você, como um túmulo em um mausoléu, a porta do sótão está aberta, pendurado por uma dobradiça. Há movimento nas paredes.
Cada escada grita de dor quando você sobe na escuridão e com a mesma força que você aperta as mãos do corrimão de madeira você faz para não tropeçar e ser engolido pela escuridão profunda a baixo das escadas. Lá em cima, a alguns passos no corredor, uma lamparina trava na escuridão e você prende a respiração enquanto dá um puxão afiado. Nada. Em vez de encher a sala com a luz parece aprofundar as sombras ainda mais, mexendo-se na escuridão, como um mergulhador agita fuligem na barriga de um naufrágio. Você não pode ver sua mão na frente do seu rosto. Absorve o suor através de suas roupas, um martelo de quilos no interior de seu peito e uma cascata de arrepios quentes abaixo sua roupa. O silêncio é ensurdecedor.
De repente, algo se move no quarto. Você quer gritar, mas você não pode. O som de unhas lacrimogêneas e garra em um quadro-negro. A porta bate em algum lugar lá embaixo. Começa a sentir derramar lágrimas quentes descendo pelas suas bochechas. O espelho no quarto principal cai no chão. Algo se move em direção a você na escuridão. Seu corpo manda comandos para que você quebre uma janela e pule sem ver o chão, mas você está muito paralisado para mover-se. Alguém está gritando lá embaixo, gritando com uma ferocidade assassina, lamentando com a miséria, como  a viúva de um marinheiro lamentando. Passos no final do corredor do segundo andar do quarto principal e pausa no pé da escada do sótão. Sua visão turva. Eles sabem que você está aqui.



12 comentários:

ღPat. Rochaღ disse...

Realmente esse texto foi superação!

A vida é incrível! Para mim, é feita de escolhas... ainda bem que podemos reflectir... e escolher empurrar o escuro da vida, para que possamos respirar o sol e a luz quando nos sentimos esmagados pelo frio sombrio de algumas realidades. E graças a capacidade de cada um de nós isso é possível, mas não, sem amor!

Adorei!
Um Beijo

Paulo Bouvier disse...

Amigos... esta postagem irá ter uma continuação.

Aguardem.

Carlos disse...

Fiquei assutado.
Você, Paulo, tem um jeito peculiar de escrever que, eu gosto muito.
Estou ansioso para a continuação.

1 Pergunta: Quem é o personagem?

até.

Paulo Bouvier disse...

Carlos, o personagem fica por sua conta...
Apenas um personagem mental mas, tire suas próprias conclusões!

(Obrigado pelo comentário)

tursn303 disse...

uuuuh casa assustadora em!

Jeferson Cardoso disse...

Olá, Paulo! Tenso. Quando esteve em meu blog e chamou-me para vir aqui não havia me avisado que estava atualizado o blog. Imagine minha surpresa ao me deparar com a foto e o texto “Esperança”. Você criou uma atmosfera e nela caminhou levando-nos com você. Parabéns! Boa sequência! E por falar em sequência, haverá sim uma sequência nos “CASAMENTOS” em meu blog. Só não digo como será, pois ainda não sei, mas suspeito. [sorrio]

Minhas coisas disse...

kkkkkkkk

Isso daria um bom filme

Laura disse...

Nossa, o personagem deve ter fico apavorado

Tem próxima né1!!!!!

legal

Mano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mano disse...

"Sua visão turva. Eles sabem que você está aqui."
Esse desfecho foi, muito bom, leva o leitor a querer mais, e é isso que eu quero mais

Jeferson disse...

Li esse e ESPERANÇA parte 2, tem tudo á ver

Josinete Beatriz disse...

Oi Paulo! Esperança foi o que escolhi, até porque eu sou uma pessoa bastante otimista. Não me amedrontei com a narraçao...muitas vezes, essas sensações sentidas pelo personagens, são as que sentimos quando necessitamos ter esperança...nos momentos difíceis da vida... já caminhei por lugares mais tristes e tenebrosos para conseguir chegar até ela... "A esperança"...muito bom, vou continuar vindo por aqui, amigo. Gosto dos "artesãos" da palavra...é como gosto de chamar meus amigos escritores. Lindo Dom! Abraços, Josi